Indiquei um livro no instagram para o dia dos pais e recebi uma pergunta que me tirou um pouco o chão. A mãe pedia uma indicação para ler nessa época do ano com uma garotinha que é rejeitada por seu pai desde muito pequena.

O abandono parental, em especial praticado pelos homens, é uma realidade muito frequente. Desafio quem não conhece pelo menos um caso. Eu conheço vários. Uma vez li algo interessante: "o abandono não é não amar, é não cuidar". É difícil mensurar o amor de alguém... Tem pai que jura de pé junto que ama o filho mais do que tudo nessa vida e sistematicamente desaparece, não participa da educação, não colabora no sustento, enfim, não cuida. Minha vó já dizia que quem ama cuida, mas não estou aqui para julgar a paternidade de ninguém.

Mas voltando à "saia justa" que a mãe me colocou. Meu primeiro movimento foi sugerir livros que mostrassem mães fortes. Mas logo vi que estava caindo na armadilha de supervalorizar uma mulher que na verdade está sobrecarregada porque um homem não está cumprindo com sua responsabilidade! Daí indiquei livros que mostrassem múltiplas configurações familiares. Mas acho que a angústia da mãe era explicar como pode um pai abandonar um filho. Como explicar para essa criança que não é culpa dela, que ela é preciosa, maravilhosa, amada? Nenhum livro sozinho dá conta! Mas sim, ler junto nos fortalece.

Por fim, prometi que buscaria referencias de livros que de algum modo tocassem no assunto e disse para a mãe que lesse sem medo livros com figuras paternas positivas também. Será que a gente precisa amenizar a falta que o pai faz? Não seria um caminho acolher essa dor? Dar legitimidade a ela e ao mesmo tempo fortalecer outras referências para a compreensão que existem diversos caminhos possíveis? No final, confesso que minha vontade mesmo era mandar uma caixa de livros para esse pai. Livros com a doçura que é ser pai de alguém. Dizer para ele: “Vai, ainda dá tempo! Não perca isso por nada! Cuida de você para cuidar da tua filha”. Mas eu não tenho o endereço dele e nem dos outros milhares e milhares de pais que somem da vida dos seus filhos. Se você conhece um pai assim, dá um livro para ele. Faz isso por nós. ❤

Ps- Apesar de toda criança ter direito ao afeto e a presença dos seus genitores nem sempre é tão simples garantir o que depende de uma ação mais subjetiva da outra pessoa. Todavia, o sustento material, através da pensão alimentícia também é DIREITO DA CRIANÇA. Se o pai não cumpre com essa obrigação, procure a justiça. Não abra mão. (Aqui digo pai, mas cabe também para mães ausentes. E a obrigação da pensão pode se estender até para os avós).

Ps2- Se você é pai e quer se aproximar da criança mas entende que está sofrendo alienação parental, também pode buscar amparo na justiça. O convívio e respeito a imagem do seu pai é DIREITO DA CRIANÇA.

Ps3 – Vale a pena buscar suporte psicológico tanto para a criança quanto para o adulto que está lidando com a ausência de um dos pais.

Ilustração de SHOOSHO @vskafandre

Clique para ver o post no Instagram @maequele

Emília Nuñez

Autora de livros infantis, idealizadora do projeto Mãe que Lê e mãe de duas crianças leitoras, Emília dá dicas livros infantis, maternidade e educação no blog, Instagram e YouTube.

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Dia dos Pais: e quando o pai some?
Reflexões
September 25, 2015

Indiquei um livro no instagram para o dia dos pais e recebi uma pergunta que me tirou um pouco o chão. A mãe pedia uma indicação para ler nessa época do ano com uma garotinha que é rejeitada por seu pai desde muito pequena.

O abandono parental, em especial praticado pelos homens, é uma realidade muito frequente. Desafio quem não conhece pelo menos um caso. Eu conheço vários. Uma vez li algo interessante: "o abandono não é não amar, é não cuidar". É difícil mensurar o amor de alguém... Tem pai que jura de pé junto que ama o filho mais do que tudo nessa vida e sistematicamente desaparece, não participa da educação, não colabora no sustento, enfim, não cuida. Minha vó já dizia que quem ama cuida, mas não estou aqui para julgar a paternidade de ninguém.

Mas voltando à "saia justa" que a mãe me colocou. Meu primeiro movimento foi sugerir livros que mostrassem mães fortes. Mas logo vi que estava caindo na armadilha de supervalorizar uma mulher que na verdade está sobrecarregada porque um homem não está cumprindo com sua responsabilidade! Daí indiquei livros que mostrassem múltiplas configurações familiares. Mas acho que a angústia da mãe era explicar como pode um pai abandonar um filho. Como explicar para essa criança que não é culpa dela, que ela é preciosa, maravilhosa, amada? Nenhum livro sozinho dá conta! Mas sim, ler junto nos fortalece.

Por fim, prometi que buscaria referencias de livros que de algum modo tocassem no assunto e disse para a mãe que lesse sem medo livros com figuras paternas positivas também. Será que a gente precisa amenizar a falta que o pai faz? Não seria um caminho acolher essa dor? Dar legitimidade a ela e ao mesmo tempo fortalecer outras referências para a compreensão que existem diversos caminhos possíveis? No final, confesso que minha vontade mesmo era mandar uma caixa de livros para esse pai. Livros com a doçura que é ser pai de alguém. Dizer para ele: “Vai, ainda dá tempo! Não perca isso por nada! Cuida de você para cuidar da tua filha”. Mas eu não tenho o endereço dele e nem dos outros milhares e milhares de pais que somem da vida dos seus filhos. Se você conhece um pai assim, dá um livro para ele. Faz isso por nós. ❤

Ps- Apesar de toda criança ter direito ao afeto e a presença dos seus genitores nem sempre é tão simples garantir o que depende de uma ação mais subjetiva da outra pessoa. Todavia, o sustento material, através da pensão alimentícia também é DIREITO DA CRIANÇA. Se o pai não cumpre com essa obrigação, procure a justiça. Não abra mão. (Aqui digo pai, mas cabe também para mães ausentes. E a obrigação da pensão pode se estender até para os avós).

Ps2- Se você é pai e quer se aproximar da criança mas entende que está sofrendo alienação parental, também pode buscar amparo na justiça. O convívio e respeito a imagem do seu pai é DIREITO DA CRIANÇA.

Ps3 – Vale a pena buscar suporte psicológico tanto para a criança quanto para o adulto que está lidando com a ausência de um dos pais.

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